terça-feira, 2 de junho de 2009

Depois de Agosto - Caio Fernando Abreu

FINAIS
Quase amanhecia quando trocaram um abraço demorado dentro do carro que só faltava ser Simca. Tão fifties, riram. Na manhã de lemanjá, ele jogou rosas brancas na sétima onda, depois partiu sozinho. Não fizeram planos. Talvez um voltasse, talvez o outro fosse. Talvez um viajasse, talvez outro fugisse. Talvez trocassem cartas, telefonemas noturnos, dominicais, cristais e contas por sedex, que ambos eram meio bruxos, meio ciganos, assim meio babalaôs. Talvez ficassem curados, ao mesmo tempo ou não. Talvez algum partisse, outro ficasse. Talvez um perdesse peso, o outro ficasse cego. Talvez não se vissem nunca mais, com olhos daqui pelo menos, talvez enlouquecessem de amor e mudassem um para a cidade do outro, ou viajassem juntos para Paris, por exemplo, Praga, Pittsburg ou Creta. Talvez um se matasse, o outro negativasse. Seqüestrados por um OVNI, mortos por bala perdida, quem sabe. Talvez tudo, talvez nada. Porque era cedo demais e nunca tarde. Era recém no início da não-morte dos dois.

BOLERO
Mas combinaram: Quatro noites antes, quatro depois do plenilúnio, cada um em sua cidade, em hora determinada, abrem as janelas de seus quartos de solteiros, apagam as luzes e abraçados em si mesmos, sozinhos no escuro, dançam boleros tão apertados que seus suores se misturam, seus cheiros se confundem, suas febres se somam em quase noventa graus, latejando duro entre as coxas um do outro. Lentos boleros que mais parecem mantras. Mais India do que Caribe. Pérsia, quem sabe, budismo hebraico em celta e yorubá. Ou meramente Acapulco, girando num embrujo de maraca y bongô. Desde então, mesmo quando chove ou o céu tem nuvens, sabem sempre quando a lua é cheia. E quando mingua e some, sabem que se renova e cresce e torna a ser cheia outra vez e assim por todos os séculos e séculos porque é assim que é e sempre foi e será, se Deus quiser e os anjos disserem Amém. E dizem, vão dizer, estão dizendo, já disseram.

segunda-feira, 18 de maio de 2009

Just a little of romance!

corpos em movimento, universo em expansão
o apartamento que era tão pequeno não acaba mais
vamos dar um tempo? não sei quem deu a sugestão
aquele sentimento que era passageiro não acaba mais
quero explodir as grades e voar
não tenho pra onde ir mas não quero ficar
novos horizontes? se não for isso, o que será?
quem contrói a ponte não conhece o lado de lá
quero explodir as grades e voar
não tenho pra onde ir mas não quero ficar
suspender a queda livre libertar
o que não tem fim sempre acaba assim

(Humberto Gessinger)


quinta-feira, 16 de abril de 2009

Agora vai !!

"Tracking de Superfícies em Seqüências de Imagens Dinâmicas”


Resumo do Projeto de Pesquisa: A cardiologia utiliza-se de diferentes modalidades de imagens para quantificar o movimento cardíaco e fornecer informações anatômicas e dinâmicas do coração. O tracking em imagens médicas do coração é uma técnica computacional avançada para assistir os médicos nos vários estágios do tratamento de doenças cardiovasculares: o estudo da progressão da doença, a análise das mudanças em resposta à terapia e a análise de variações entre estruturas normais e patológicas. Certas patologias, como o infarto agudo do miocárdio e a isquemia, modificam a cinética do coração: as regiões necrosadas não se deformam; a contratilidade diminui em regiões isquêmicas menos irrigadas; e ocorre um fenômeno de compensação do movimento nas regiões não afetadas para tentar preservar a função miocárdica global. A informação relativa ao movimento auxilia o especialista na avaliação de doenças cardíacas, na detecção de regiões necrosadas, no diagnóstico e na escolha do tratamento adequado. O tracking 3D é aplicado para o acompanhamento da trajetória de pontos (voxels) das paredes cardíacas sobre uma seqüência inteira de imagens volumétricas adquiridas em tempos diferentes. O projeto irá investigar um novo método que seja independente da modalidade de aquisição para estimar o movimento (tracking) das superfícies das paredes do miocárdio em imagens de CT-tomografia computadorizada, 3DE-ecocardiografia, NM-medicina nuclear, US-ultra-som e MR-Rressonância magnética.

terça-feira, 10 de março de 2009

sábado, 7 de março de 2009

E as mulheres são do caramba!

"Sou uma mulher madura
Que às vezes anda de balanço
Sou uma criança insegura
Que às vezes usa salto alto
Sou uma mulher que balança
Sou uma criança que atura"


[ Martha Medeiros ]

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Turbilhão de pensamentos.
O confronto entre os desejos e o limite suportável em que me encontro após todo este tempo é assustador. Imaginar abrir mão de tudo o que conquistei por simplesmente não ter mais forças para aguentar, põe em prova a minha capacidade de superação..
Mas até onde terá sido válido?
O vazio confunde-se com ansiedade, saudade, vontade de voltar atrás. Ou começar de novo. Ou REcomeçar.
Nem consigo lembrar ao certo o ponto onde parei. Ou de onde parti.
E então que percebo que meu lugar não é aqui. E tão pouco lá. Não consigo ser sua. Não é possível ser parte quando já se conhece a maravilha de ser todo...
E agora percebo que toda é meu destino.
Toda amor, toda sabedoria, toda paz.
E como se em uma prece, só peço saber o momento de toda partida..

quarta-feira, 20 de agosto de 2008

Arnaldo, casa comigo?

"Estamos com fome de amor
Uma vez Renato Russo disse com uma sabedoria ímpar: "Digam o que disserem, o mal do século é a solidão". Pretensiosamente digo que assino embaixo sem dúvida alguma. Parem pra notar, os sinais estão batendo em nossa cara todos os dias.
Baladas recheadas de garotas lindas, com roupas cada vez mais micros e transparentes, danças e poses em closes ginecológicos, chegam sozinhas. E saem sozinhas. Empresários, advogados, engenheiros que estudaram, trabalharam, alcançaram sucesso profissional e, sozinhos.
Tem mulher contratando homem para dançar com elas em bailes, os novíssimos "personal dance", incrível. E não é só sexo não, se fosse, era resolvido fácil, alguém duvida?
Estamos é com carência de passear de mãos dadas, dar e receber carinho sem necessariamente ter que depois mostrar performances dignas de um atleta olímpico, fazer um jantar pra quem você gosta e depois saber que vão "apenas" dormir abraçados, sabe, essas coisas simples que perdemos nessa marcha de uma evolução cega.
Pode fazer tudo, desde que não interrompa a carreira, a produção. Tornamos-nos máquinas e agora estamos desesperados por não saber como voltar a "sentir", só isso, algo tão simples que a cada dia fica tão distante de nós.
Quem duvida do que estou dizendo, dá uma olhada no site de relacionamentos Orkut, o número que comunidades como: "Quero um amor pra vida toda!", "Eu sou pra casar!" até a desesperançada "Nasci pra ser sozinho!".
Unindo milhares, ou melhor, milhões de solitários em meio a uma multidão de rostos cada vez mais estranhos, plásticos, quase etéreos e inacessíveis.
Vivemos cada vez mais tempo, retardamos o envelhecimento e estamos a cada dia mais belos e mais sozinhos. Sei que estou parecendo o solteirão infeliz, mas pelo contrário, pra chegar a escrever essas bobagens (mais que verdadeiras) é preciso encarar os fantasmas de frente e aceitar essa verdade de cara limpa. Todo mundo quer ter alguém ao seu lado, mas hoje em dia é feio, démodé, brega.
Alô gente! Felicidade, amor, todas essas emoções nos fazem parecer ridículos, abobalhados, e daí? Seja ridículo, não seja frustrado, "pague mico", saia gritando e falando bobagens, você vai descobrir mais cedo ou mais tarde que o tempo pra ser feliz é curto, e cada instante que vai embora não volta.
Mais (estou muito brega!), aquela pessoa que passou hoje por você na rua, talvez nunca mais volte a vê-la, quem sabe ali estivesse a oportunidade de um sorriso a dois.
Quem disse que ser adulto é ser ranzinza? Um ditado tibetano diz que se um problema é grande demais, não pense nele e se ele é pequeno demais, pra quê pensar nele. Dá pra ser um homem de negócios e tomar iogurte com o dedo ou uma advogada de sucesso que adora rir de si mesma por ser estabanada; o que realmente não dá é continuarmos achando que viver é out, que o vento não pode desmanchar o nosso cabelo ou que eu não posso me aventurar a dizer pra alguém: 'vamos ter bons e maus momentos e uma hora ou outra, um dos dois ou quem sabe os dois, vão querer pular fora, mas se eu não pedir que fique comigo, tenho certeza de que vou me arrepender pelo resto da vida'.
Antes idiota que infeliz!"
Arnaldo Jabor